Quem realmente sabe que a África não é um país? Desprendimentos decoloniais em Educação Matemática

Autores

  • Michela Tuchapesk da Silva FEUSP
  • Carolina Tamayo Osorio UFMG

DOI:

https://doi.org/10.37001/ripem.v11i2.2474

Palavras-chave:

Filosofia da Diferença; Sona; Etnomatemática; Decolonialidade.

Resumo

No presente artigo nos propomos a abrir margem para encontros outros com a prática sociocultural Africana Sona como efeito de desprendimentos de saberes ou ideias que podem ser utilizadas para interpretar esta prática segundo os padrões próprios da Matemática disciplinarmente organizada. Assim, apresentamos modos outros de pensar/sentir/experimentar a vida, de se deixar afetar, ao assumir a opção decolonial como possibilidade para criar, inventar, filosofar com os Sona. Encontros que permitam novos afetos e novos conceitos, para desconstruir aquilo que nos foi dado como verdade, para desestabilizar um sistema de pensamento que se ancora no projeto Modernidade/Colonialidade. Neste sentido, buscamos nos desprender de qualquer concepção de conhecimento que procure instituir-se como universal, procurando criar fissuras no racismo epistemológico que permeia os currículos escolares e universitários ao convocar diferentes conhecimentos para dialogar de forma horizontalizada, isto é, libertar a diferença. Entendendo que, assumir a opção decolonial provoca movimentos recíprocos de existência/resistência que procuram pela prática de uma Educação Matemática que desconstrói seu lugar privilegiado para a transformação e transgressão que põe em ação novos pensamentos.

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Publicado

2021-03-31

Como Citar

Tuchapesk da Silva, M., & Tamayo Osorio, C. . (2021). Quem realmente sabe que a África não é um país? Desprendimentos decoloniais em Educação Matemática. Revista Internacional De Pesquisa Em Educação Matemática, 11(2), 9-29. https://doi.org/10.37001/ripem.v11i2.2474

Edição

Seção

Dossiê "Educação Matemática e Decolonialidade"