Cotidianos na EJA da zona rural cearense

construindo currículos e interrogando a docência em Matemática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.37001/ripem.v11i2.2436

Palavras-chave:

COTIDIANOS ESCOLARES, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, CURRÍCULOS, MATEMÁTICA

Resumo

Neste artigo apresentam-se contextos de aulas de Matemática em uma turma da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), localizada no interior do estado do Ceará. Com ele objetiva-se discutir os cotidianos da sala de EJA como potenciais espaços de construção de currículos com sentidos próprios da realidade da zona rural. Tais sentidos encaminharam reflexões sobre as práticas curriculares matemáticas construídas por uma professora e adocência em Matemática na referida modalidade. Os cotidianos são aqui destacados nas notas de pesquisa do diário de campo de um dos pesquisadores que esteve acompanhando as aulas na turma de EJA. As análises destas notas de pesquisa esclarecem existir tensões entre um currículo de sentido prescritivo e regulador da vida escolar, eum currículo que retrata um sentido de narrativa das identidades dos estudantes e da comunidade rural. Estas tensões sinalizam as potencialidades dos cotidianos da comunidade rural na construção de sentidos de currículos que, trançados pelas experiências dos jovens, adultos e idosos, reconstroem as práticas curriculares matemáticas da professora, e forjam as tentativas de prescrição eregulação de documentos curriculares.

Biografia do Autor

Francisco Josimar Ricardo Xavier, Universidade Federal Fluminense

Doutorando em Educação pela Universidade Federal Fluminense, UFF. Tem interesse em pesquisas nas áreas: Educação, Educação Matemática, Etnomatemática, Currículo e Práticas Pedagógicas na modalidade Educação de Jovens e Adultos, EJA. Integra o Grupo de Pesquisa em Educação Matemática (GRUPEMAT), do Instituto de Educação de Angra dos Reis IEAR/UFF e o Grupo de EtnomateMática da UFF (GETUFF).

Adriano Vargas Freitas, Universidade Federal Fluminense

Doutor em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Mestre em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Especialista em Ensino de Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Graduado em Matemática. Professor do Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense (PPGEdu-UFF). Professor do Instituto de Educação de Angra dos Reis (IEAR-UFF). Desenvolve pesquisas relacionadas à Educação Matemática, Formação de Professores e Currículos direcionados a Educação de Jovens e Adultos. Coordenador do Grupo de Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos (GPEJA).

Referências

Alves, N. (2008). Decifrando o pergaminho: os cotidianos das escolas nas lógicas das redes cotidianas. In: I. B. Oliveira & N. Alves (Eds.). Pesquisa nos/dos/com os cotidianos das escolas: sobre redes de saberes. (pp. 15-33). Petrópolis: DP et Aliii.

Brasil. (1990). Lei nº 8069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília: Senado Federal.

Cipiniuk, T. A. (2017). Analfabeto: problema social e desonra pessoal. Niterói: Eduff.

Fonseca, M. C. F. R. (2012). Educação matemática de jovens e adultos: especificidades, desafios e contribuições. 3 ed. Belo Horizonte: Autêntica.

Franco, M. A. S. (2012).Pedagogia e prática docente. São Paulo: Cortez.

Freitas, A. V. (2013). Educação Matemática e Educação de Jovens e Adultos: estado da arte de publicações em periódicos (2000 a 2010). Tese de Doutorado em Educação Matemática, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Gil, A. C. (2008).Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas.

Goodson, I. F. (2019).Currículo, narrativa pessoal e futuro social. Tradução: Henrique Caldas Carvalho. Revisão da tradução: Maria Inês Petrucci-Rosa e José Pereira de Queiroz. Campinas, SP: Editora Unicamp.

Goodson, I. F. (2015). Narrativas em Educação: a Vida e a Voz dos professores. Tradução: André Pacheco. Portugal: Porto Editora.

Maldonato-Torres, N. (2007).Thinking through the decolonial turn: post-colonial interventions in theory, philosophy and critique - an introduction. Transmodernity: Journal of Peripheral Cultural Production of the Luso-Hispanic World, 1(2), 1-15.

Mileto, L. F. M. (2009). No mesmo barco, dando força, um ajuda o outro a não desistir: estratégias e trajetórias de permanência na Educação de Jovens e Adultos. Dissertação de Mestrado em Educação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, Brasil.

Oliveira, I. B. (2007).Currículos nos/dos/com os cotidianos a ver/ler/ouvir/sentir o mundo. Educ. Soc.Campinas, 28(98), 47-72.

Reis, D. B. (2016). O significado de permanência: explorando possibilidades a partir de Kant. In: CARMO, G. T. do (Eds.). Sentido da permanência na educação de jovens e adultos: anúncio de uma construção coletiva. (pp. 73-92). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.

Ribeiro, W. G. & Craveiro, C. B. (2017). Precisamos de uma Base Nacional Comum Curricular? Linhas Críticas, Brasília, 23(50), 51-69.

Sacristán, J. G. (2000). O currículo: uma reflexão sobre a prática. Tradução: Ernani F. da F. Rosa. 3 ed. Porto Alegre: Artmed.

Santos, B. S. (2019). O fim do império cognitivo – a afirmação das epistemologias do sul. Belo Horizonte: Autêntica.

Xavier,F. J. R. (2019). A influência de práticas pedagógicas matemáticas na EJA sobre a permanência de estudantes da zona rural de Sobral. Dissertação de Mestrado em Educação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.

Publicado

2021-03-31

Como Citar

Xavier, F. J. R., & Freitas, A. V. (2021). Cotidianos na EJA da zona rural cearense: construindo currículos e interrogando a docência em Matemática. Revista Internacional De Pesquisa Em Educação Matemática, 11(2), 265-282. https://doi.org/10.37001/ripem.v11i2.2436

Edição

Seção

Dossiê "Educação Matemática e Decolonialidade"